Oi gente!
Depois de uma espera de, segundo os meus cálculos, aproximadamente um ano eu finalmente acabei de escrever essa série.
Como eu sou péssima em apresentações, sinopses e afins resolvi que não vou tentar apresentar os personagens, vou deixar vocês descobrirem sozinhos as personalidades de cada um de acordo com o que eu escrevo.
Agora eu vou parar de enrolar, boa leitura para todos. ![]()
Prólogo
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Eu odeio chuva.
Quando chove, aquelas lembranças voltam.
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Capítulo 1 - Aquela casa
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Dizem que ficar remoendo o passado, cutucando antigas feridas, só vai me machucar.
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“Você tem que seguir em frente” é o que dizem, mas a questão é: Como? O que fazer quando o passado é tão reconfortante a ponto de nunca querer deixá-lo?
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Por isso, talvez, eu esteja sempre voltando a essa casa. Por medo de deixar o passado ir.
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“Essa deve ser a milésima vez que venho aqui desde aquele dia” Pensei enquanto sentava na grama.
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“Aquele dia” estremeci, incrível como duas palavras tão pequenas podem trazer tantas lembranças ruins. Senti as lágrimas que já começaram a se formar.
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A casa está bem conservada” Pensei, tentando desviar minha mente daquelas memórias. Eu sabia que era inútil, essa estratégia nunca tinha funcionado, e não funcionaria agora.
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Uma gota de água caiu no meu ombro, ignorei-a. Outras gotas caíram, ignorei-as também. Meu cabelo já estava ficando pesado pelo acúmulo de água quando as lágrimas começaram a cair.
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Não as sequei, nem as impedi de cair, apenas fechei os olhos e me encolhi em posição fetal, buscando calor.
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-Ei, você! - Alguém gritou.
Ignorei a voz, se estivesse falando comigo, o que era bem improvável, chamaria meu nome. Continuei observando o vazio negro da minha mente.
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Ouvi passos, talvez alguém estivesse se aproximando de mim.
Abri os olhos, sim, alguém se aproximava. “Perigo” Gritavam meus instintos, mas eu não os ouvia.
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”Quer entrar?” - Perguntou, gentilmente, a voz. Alguém se ajoelhou na grama, perto o suficiente para que eu sentisse o calor de seu corpo.
Não respondi.
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"Eu sei que você está viva!" Gritou a voz, não tão gentilmente desa vez " E eu não vou te deixar aqui. Te arrastarei até minha casa se necessário.
A pessoa se levantou, meus olhos estavam tão cheios de lágrimas que eu não conseguia ver seu rosto.
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Alguém me girou, agora eu tinha uma boa visão do céu cinzento. Comecei a ser arrastada pela grama.
"Essa pessoa está realmente determinada a me tirar da chuva" Pensei
"Tudo bem" Falei, minha boca se enchendo de água "Eu vou"
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Meus pés foram jogados no chão, me levantei e olhei para a garota a minha frente, ela tinha um piercing no nariz e usava uma camiseta preta, não me parecia o tipo de pessoa que faria de tudo para ajudar os outros.
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Ela se virou e começou a andar calmamente em direção a minha antiga casa. E posso afirmar, com toda certeza, que só a segui por curiosidade.
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Afinal, o que ela fazia entrando em uma casa que nem era dela? A única pessoa que morava por ali era a Senhora Willis, e ela não tinha filhos.
A garota foi para o meu antigo quarto e eu a seguia observando com atenção o interior da casa.
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"Tudo continua igual" Pensei, entrando no quarto.
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"O que você fez com o meu quarto!?" Gritei, as palavras saindo contra a minha vontade.
Tudo, inclusive o papel de parede, tinha sido mudado.
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"É assim que você fala com quem te salva de morrer congelada?" A garota perguntou, sarcástica, fechando a gaveta. Agora ela usava outra camiseta, também preta, e uma bermuda. Tinha trocado de roupa bem rapidamente.
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"Onde estão as minhas coisas?" Perguntei, sabendo que não estava sendo educada.
Ela se virou para mim, sua expressão facial era indecifrável, talvez ela fosse me bater.
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"Você poderia me explicar porque você age como se essa casa fosse sua?" Ela falou, seu tom de voz gentil me acalmando instantaneamente.
Sentei no chão, e após alguns segundos ela fez o mesmo, era uma longa história.
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Capítulo 2 - Uma volta pelo passado
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“ Eu morava aqui” Talvez essa fosse uma boa maneira de começar a história “E, durante muito tempo, ninguém comprou essa casa”
“Porque?” Ela me interrompeu, ao mesmo tempo em que mudava a posição de suas pernas.
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“Diziam que essa casa era amaldiçoada” Respondi, dando de ombros.
“Amaldiçoada?” Repetiu a garota, incrédula.
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“Era dia 9 de julho quando aconteceu...” Comecei, como se aquela fosse a minha deixa, minhas memórias daquele dia estavam intactas mesmo depois de 5 anos. Movi minhas pernas, ficando na mesma posição da menina.
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Ela me olhava atentamente, quase sem piscar.
Eu continuei falando, mas a minha mente já estava voltando para “aquele dia”.
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Chovia muito naquele dia, relâmpagos riscavam o céu e trovões faziam um barulho ensurdecedor. Eu estava com medo e brincava para me distrair.
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Estava olhando pela janela quando ouvi o primeiro tiro. Levantei e andei para o quarto de meu pai, aquele barulho tinha me assustado mais do que os trovões. Chegando lá, olhei ao redor, procurando-o.
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Abri o armário, aquele era seu esconderijo preferido quando brincávamos de esconde-esconde.
“Também não está aqui” Sussurrei, minha voz infantil soando alta naquele silêncio.
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Ouvi outro tiro, o som vinha da sala de estar. Fui até lá na ponta dos pés, a curiosidade maior do que o medo. Me escondi atrás de uma porta, sorrindo ao me dar conta do tamanho de minha inteligência.
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A primeira coisa que vi foi o garoto, ele estava de costas e falava alguma coisa para meu pai.
Eu queria me aproximar e ouvir o que ele dizia, mas não o fiz.
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“Isso foi pelo meu pai!” Gritou o menino, ao mesmo tempo em que atirava uma última vez e saía pela porta da frente.
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Eu deveria ter olhado para ele com mais atenção, mas naquele momento eu só tinha olhos para o meu pai encolhido no chão, tentando me impedir de ver o sangue que tinha começado a jorrar com aquele último tiro.
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No momento em que vi o sangue minha cabeça começou a girar, coloquei a mão nos olhos, esfregando-os com força.
Após alguns segundos, espiei através de meus olhos semicerrados.
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Dei uma outra olhada no sangue, agora eu definitivamente iria desmaiar. Corri para o telefone com a esperança de ao menos chamar uma ambulância antes de perder os sentidos. Coloquei a mão na cabeça, minha visão estava ficando turva.
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Estava a cerca de 2 passos do telefone quando caí no chão. Minha cabeça bateu na madeira, e tudo ficou escuro.
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“E depois?” Perguntou a garota, sua voz me chamando para a realidade.
“Fiquei inconsciente por cerca de três horas, quando acordei já estava no hospital” Respondi.
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“Como você chegou lá?” Ela falou, indo para a porta.
“Meu tio me levou pra lá” Falei, sabendo que aquele interrogatório não acabaria tão cedo.
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“Seu tio!?” Ela exclamou, gesticulando no meio do corredor. “O que ele estava fazendo tão perto de sua casa? Ajudando o assassino?” Eu quase via as engrenagens no seu cérebro se movimentando e ajustando os fatos para que eles se parecessem com um livro de mistério.
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"Não, meu tio era meu vizinho na época” Respondi.
“Ah...” A menina falou, seus ombros caindo ao notar que todas as suas teorias tinham sido anuladas.
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Ela foi para a cozinha arrastando os pés, visivelmente abalada.
“E eu pensando que coisas interessantes já aconteceram por aqui” Resmungou.
Segurei a risada, ela parecia uma criancinha fazendo birra.
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“Ok, ok” Ela falou, agora animada e fazendo uma dancinha estranha, embora seu tom de voz continuasse parecido com o de uma criança “Vamos comer!!!”
A risada que eu estava segurando a um bom tempo escapou de minha boca.
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“Consegui te fazer rir!” Ela gritou, bati palmas algumas vezes, sua animação era contagiante.
“Você está parecendo uma criança com essa animação toda” Falei, o leve sorriso ainda em meus lábios.
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“Eu só sou feliz” Ela falou, saltitando para a cozinha.
Realmente, sua personalidade era completamente diferente do seu estilo meio gótico.
“Se você não vier logo vou comer o sorvete todo sozinha” Ela ameaçou, divertida.
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Fui para a cadeira e puxei a taça de sorvete para perto de mim, peguei uma colherada.
“Gostoso” Comentei
“Claro que é gostoso” Ela falou “É sorvete”
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“Deve ter sido difícil para a sua mãe viver sem seu pai” Ela falou voltando àquele assunto enquanto comia mais sorvete.
“Minha mãe já estava morta naquela época” Falei, aquele comentário com certeza faria mais e mais perguntas surgirem.
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“Então você é órfã de pai e mãe” Ela falou, olhando para mim.
“Sim” Respondi, mesmo sabendo que não era uma pergunta.
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“Eu moro com meu tio” Falei, prevendo a sua pergunta.
“Vidente” Resmungou a garota.
Dei um sorriso, era realmente legal vê-la resmungando.
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“E como a sua mãe morreu?” Ela perguntou, indo para a geladeira e a abrindo. Aquela pergunta sempre surgia, e já fazia alguns anos que não era mais tão doloroso respondê-la.
“Você tem algumas semanas?” Perguntei, a história era realmente longa e eu sempre acabava parando para responder as perguntas que inevitavelmente surgiam, o que só tornava a história mais longa ainda.
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“Vou ter que ver na minha agenda” Ela falou, rindo enquanto enchia a boca de batatas fritas.
Ri também, era bom ter alguém que não era da família para conversar.
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Me levantei e dei uma olhada no lado de fora através do vidro transparente da janela,pelos meus cálculos já devia ser 7 horas da noite, talvez mais, congelei,meu tio não vai me perdoar se eu chegar atrasada para o jantar de novo.
“Porque você não me conta essa história amanhã?” Ela sugeriu, notando a minha apreensão.
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“A gente pode ir em um lugar que eu conheço” Ela falou, puxando a cadeira, sentando-se e jogando o pacote de batatas fritas em um dos balcões.
“Que lugar?” Perguntei, curiosa.
“ Se-gre-do” Ela sorriu
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“Então eu vou para um lugar que eu não sei qual é com uma pessoa que eu não sei o nome?” Falei, colocando minhas mãos na cintura, enquanto andava até ficar de frente para ela.
“Eu também não sei o seu nome” Ela me lembrou.
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Ela pulou da cadeira em um movimento ágil.
“Camila” Ela falou estendendo a mão.
“Melody”Respondi, apertando a sua mão.
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“Às 4?” Ela perguntou, sorrindo enquanto nós despedíamos.
“Te vejo lá” Foi a minha resposta.
Eu nunca imaginei que ter uma amiga seria tão bom.
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Capítulo 3 - É meia-noite
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“Porque diabos essa porta está sempre trancada?” Sussurrei, irritada, tocando a campainha pela milésima vez. Se demorassem mais para atender eu com certeza ficaria encharcada.
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“Será que Camila gostava daquele guarda-chuva?” Pensei, sentindo-me culpada por ter perdido o guarda-chuva para o vento. Me apoiei na porta, eu provavelmente ficaria do lado de fora até as 8 horas, então era melhor estar pronta.
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Repentinamente, a porta foi aberta, comecei a cair para trás, meus braços descendo rapidamente tentando encontrar algum apoio de forma que minha cabeça não batesse no chão com força total.
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Caí no chão, minhas costas batendo na madeira dura e minha voz saindo de minha boca na forma de um grito horrível, minha cabeça bateu nos pés de alguém, e esse alguém também gritou. Um grito que não reconheci.
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“Não acredito que acabei de cair nos pés de um completo desconhecido” Pensei, levantando-me.
É claro que eu estranhei o fato de alguém de fora da família ser convidado para o jantar, meus tios nunca permitiram esse tipo de coisa, nem amigos eram permitidos no “horário sagrado do jantar”.
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“Desculpe-me” Murmurei para a pessoa a minha frente, olhando para meus próprios pés, estava muito envergonhada.
“Meu pé! Sua burra desastrada!” Gritou a pessoa “Você manchou meu esmalte!”
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Levantei os olhos, aquela voz era definitivamente conhecida. A garota loira na minha frente era familiar, mas eu não a reconheci.
“Uma prima distante talvez?” Pensei
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“E além de tudo você nem se lembra de mim!” Ela gritou, me cutucando no ombro.
“Ai...”Gemi, eu estava acostumada a ser cutucada, mas não com essa intensidade, por acaso ela me odeia?
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“Ok, ok, não comecem a brigar.” Minha tia falou se colocando entre nós duas. Estava mesmo tão na cara que eu estava me preparando para dar um chute naquela garota?
“Foi ela que começou!” A menina falou, com raiva.
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“Eu que comecei o que? Não coloquei um dedo em você!” Gritei, saindo de trás de minha tia. A garota fez o mesmo, estávamos nos encarando com raiva, esperando para ver quem faria o primeiro movimento.
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Então minha prima gritou, se jogando em meus braços, me abaixei para alcançá-la e a abracei, afastando seus cabelos negros do meu rosto. Ela tinha um jeito estranho, mas eficiente, de parar brigas.
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Minha tia relaxou, se virou para mim e deu um passo para trás, ficando ao lado da garota.
“Você se lembra da sua prima Amanda?” Ela falou, séria.
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“Ela vai morar conosco a partir de agora.” Minha tia falou, sem esperar minha resposta.
“Sorte que não tive tempo de falar que não me lembro da tal Amanda” Pensei, aliviada.
“Seja bem-vinda” Falei, estendendo a minha mão para cumprimentá-la.
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“Obrigada” Ela respondeu, mas não apertou minha mão.
“Agora vá para o seu quarto mocinha” Minha tia falou, dirigindo-se a mim.
“Sem jantar?” Perguntei, incrédula.
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“Você chegou atrasada, se estiver com fome espere até amanhã” Ela respondeu.
Me virei e fui para o meu quarto, arrastando os pés no chão, eu estava com tanta fome que acordaria morta se não comesse alguma coisa.
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“Bem, não estou com fome ao ponto de desobedecer uma ordem direta de minha tia, então acho que posso sobreviver até amanhã.” Pensei, indo para o armário.
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Fui para a minha cama, coloquei o cobertor de lado e me sentei. Balancei as pernas algumas vezes, raspando os pés no chão frio. E então, adormeci.
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Não fico surpresa de ter acordado cerca de quatro horas depois. Minha barriga roncava fortemente e a única coisa em que eu conseguia pensar era comida. Esfreguei os olhos sonolentos e me levantei.
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Saí do quarto na ponta dos pés e fui para a cozinha, sem acender nenhuma luz pelo caminho, com medo de acordar os outros.
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Andei para a geladeira e a abri, torcendo para encontrar alguma coisa de que eu gostasse. Infelizmente, a única coisa que vi foram potes e mais potes de comida congelada.
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Foto 4.jpg (47,58K)
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Fui em direção a uns dos armários, talvez houvesse comida de verdade lá. Estava começando a abri-lo quando ouvi a voz de minha tia, e ela vinha para a cozinha.
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“Droga” Falei em voz baixa, onde eu poderia me esconder? Os armários não eram uma opção e me esconder embaixo da mesa não era uma boa ideia.
Então, em um gesto desesperado, corri para a janela e a abri.
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“Desse jeito vou morrer congelada” Pensei quando o vento frio me atingiu em cheio através do tecido fino do pijama. Mesmo assim, pulei para fora e me abaixei, sujando meus joelhos de grama molhada.
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Foto 7.jpg (52,76K)
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“Que ela não tenha me visto, que ela não tenha me visto” Murmurei, e algum Deus em algum lugar do mundo deve ter me ouvido, porque minha tia sequer se aproximou da janela.
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Algum tempo já tinha se passado quando me arrisquei a espiar a cozinha através da janela, e aquela cena me chocou tão completamente que fico surpresa de não ter gritado.
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“Minha tia está traindo meu tio” Falei, um pouco mais alto do que seria considerado seguro, mas não me importei. Ela não me ouviria, nem mesmo se eu falasse em meu tom de voz normal.
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Foto 10.jpg (41,33K)
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Sentei na grama, não me importando em sujar meu pijama novo, mas fazendo uma nota mental de colocá-lo para lavar amanhã. O choque me impedia de ser racional, eu com certeza pegaria um resfriado ficando na chuva por tanto tempo.
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Foto 11.jpg (46,93K)
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Deitei no chão, agora meu pijama definitivamente precisaria ser lavado.
“Bem, eles não são o casal perfeito que sempre pareceram ser” Sussurro com tanta raiva que até aos meus ouvidos minha voz parece trêmula. “Porque se fossem minha tia não estaria fazendo isso”
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Foto 12.jpg (35,1K)
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Me levanto e cruzo os braços em uma tentativa inútil de me esquentar, pensando no que deveria fazer, contar ao meu tio não é possível,visto que ele nunca está em casa. Será que essa é uma espécie de traição dupla? Minha tia está traindo-o porque ele está traindo ela? Mas isso não faz sentindo, se os dois estão insatisfeitos não seria mais fácil se eles simplesmente se divorciassem?
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Foto 13.jpg (44,04K)
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Minha cabeça começa a dar voltas com tantas possibilidades, então paro de pensar nisso.Limpo o meu pijama da melhor forma possível, ou seja, com as mãos. Bato uma mão contra a outra, e a maior parte da sujeira nelas sai.
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Foto 14.jpg (47,22K)
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“Ok, então vou confrontá-la!” Penso, decidida, andando para a porta da frente. Subo as escadas com raiva e entro empurrando a porta com força, o que faz com que ela bata na parede e se feche as minhas costas fazendo barulho.
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Foto 15.jpg (47,83K)
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Minha tia vem em minha direção, sorrindo, com certeza vai me dar uma bronca por ter saído de casa sem permissão, mas não me encolho, muito pelo contrário, ergo a cabeça e prometo a mim mesma que não vou abaixá-la de forma alguma.
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Foto 16.jpg (45,07K)
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Ela está bem na minha frente e abre a boca para falar, mas eu ergo uma de minhas mãos e, surpreendente, ela fecha a boca, parando de sorrir. Ergo os cantos da boca em um sorriso que é pura satisfação. O relógio bate as doze badaladas, é meia-noite.
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Foto 1.jpg (49,61K)
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Minha tia me encara, provavelmente tentando adivinhar o motivo do meu sorriso satisfeito. Ela não sorri, na verdade, acho que por trás daquela expressão vazia ela está com medo. Medo do que pode ter me deixado tão feliz.
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Foto 2.jpg (48,9K)
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“Eu sei de tudo” Falo, ainda sorrindo de forma maléfica. Acho que, no fundo, sou meio sádica.
Minha tia arregala os olhos e depois pisca, perplexa. Ela faz uma cara que indica que ela provavelmente vai começar a chorar a qualquer momento.
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Subitamente, ela endireita sua coluna e sorri levemente, colocando uma de suas mãos na cintura.
“Ah é?” Ela pergunta “E o que exatamente seria esse tudo?”
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Foto 4.jpg (53,5K)
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Ontem, aquele sorrisinho teria me amedrontado, mas hoje tudo em que consigo pensar é no quanto desprezo a mulher a minha frente e no quanto quero ver ela pra baixo.
“Pra começar, sei do seu amante.” Respondo, feliz por poder revidar.
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Ela me olha nos olhos e vê que não estou mentindo, então cai no chão e começa a tremer, parece que está chorando, mas não tenho certeza pois não posso ver seu rosto.
“Eu sabia que aquela pose de durona era apenas uma farsa” Falo em um sussurro.
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Foto 6.jpg (43,32K)
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“Você não vai contar” Ela diz, se erguendo do chão. “Não vai contar para suas primas, não vai contar para o seu tio, não vai contar sequer para seus amigos”
“E porque não o faria?” Pergunto, agora sinto medo, mas não vou fraquejar.
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Foto 7.jpg (50,71K)
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“Porque os mortos não podem ouvir, e muito menos falar.” Ela fala, seu olhar vazio e seu sorriso convencido nos lábios mostram que ela tem alguma coisa ruim planejada. “Se você contar, a pessoa que teve o azar de ser sua ouvinte morre”
Prendo o ar contra a minha vontade, e quando o solto vejo que minha respiração está acelerada.
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Foto 8.jpg (38,58K)
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“E você também” Ela completa, sorrindo de forma maléfica.
Minha garganta está seca e sinto como se ela fosse se fechar, não consigo engolir, não consigo respirar e sinto que tenho que correr, mas não consigo, o pavor me domina.
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“Também não irá fugir, se tentar, mato suas primas” Ela fala, erguendo os braços e dando uma risada maléfica que me deixa arrepiada de medo. Vejo a loucura que ela demonstra e entendo que ela não mente, que ela é capaz de matar a própria filha para manter seu amante.
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Minhas pernas destravam e corro para a escada, sabendo que não estou sendo seguida, mas com medo demais para continuar olhando para minha tia, tropeço algumas vezes enquanto subo as escadas, mas continuo a correr.
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Foto 11.jpg (57,4K)
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Chego ao meu quarto e bato a porta, trancando-a rapidamente. Paro para respirar por alguns segundos, tentando me acalmar. Vendo que não vou voltar ao normal tão rapidamente vou ao banheiro e fecho a porta.
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Abro a torneira da banheira e me sento no vaso, esperando que ela encha o suficiente para que eu possa entrar. Apoio a cabeça em uma das mãos, sentindo que cresci mais nesses últimos minutos do que durante um mês inteiro.
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Meu “antigo eu” choraria sem parar e esperaria que tudo se resolvesse, mas meu “novo eu” sabe que não posso me dar a esse luxo, que ninguém vai resolver meus problemas para mim.
Entro na banheira, a água está quente, mas eu gosto.
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Foto 14.jpg (44,9K)
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“Tenho que bolar um plano” Falo para mim mesma, mas ao mesmo tempo em que digo isso sei que é impossível, que a única solução é calar a boca e aceitar.
“Odeio chantagens” Resmungo, irritada, mas mais calma do que antes de tomar banho.
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Saio da banheira e visto a primeira coisa que vejo, percebendo que esqueci de prender meu cabelo antes de entrar na banheira, assim ele ainda está do jeito de sempre. Olho para o espelho, pensando em mudar o penteado, mas desisto, daria muito trabalho. Então apenas puxo meu cabelo para trás para que não caia em meus olhos.
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Vou para o quarto e procuro por alguma roupa que não esteja em um estado deplorável, mas é difícil encontrar algo em bom estado quando você tem pouco mais de 5 conjuntos de roupa desde os 14 anos.
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Foto 17.jpg (63,29K)
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Desistindo de encontrar algo em bom estado, opto pela roupa que me parece ser mais confortável e visto-a. É um vestido, e apesar de não gostar de vestidos fico feliz ao ver que esse, além de ser confortável, fica bem em mim.
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Volto para o banheiro e passo uma escova em meus cabelos, de forma que eles continuem para trás, depois escovo os dentes e vou para o sofá que está no meu quarto desde a mudança. Me sento nele e me arrependo muito de não ter pedido a Camila seu número, pelo menos teria alguém com quem conversar, mesmo que não fosse sobre aquele assunto.
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Então me deito no sofá, em uma posição que sei que não é confortável, mas que me satisfaz por me manter aquecida. Olho fixamente para o chão, imaginando pequenas histórias na minha cabeça como forma de distração.
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Fecho os olhos e começo a vagar, quando os abro vejo a luz da manhã entrando pela janela. Me levanto rapidamente e vou ao banheiro prender o meu cabelo do jeito habitual. Demoro um pouco, pois os fios estão embaraçados, mas não ligo, qualquer coisa que me faça ficar um pouco mais no meu quarto é positiva.
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Foto 21.jpg (49,2K)
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Vou para a porta e solto o ar que não percebi que estava prendendo até aquele momento. Destranco a porta e a abro, pronta pra enfrentar o que quer que esteja a minha espera. Hora de mentir.
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Espero que estejam gostando, obrigada pelos comentários.
Por hoje é só, e como comentar não mata, comentem *-*
Próxima atualização será feita amanhã a noite, comentem seus maus.
Este post foi editado por Júh!ღ: 03 maio 2012 - 20:02













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